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Val Ceasa movimentou pelo menos R$ 13 milhões com patrimônio declarado de R$ 1 milhão, aponta MPRJ
18/06/2026
(Foto: Reprodução) Val Ceasa movimentou pelo menos R$ 13 milhões com patrimônio declarado de R$ 1 milhão, aponta MPRJ
Uma investigação do Ministério Público do Rio (MPRJ) e da Polícia Civil apontou que o deputado estadual Val Ceasa (PRD) possui imóveis e bens que chegam a R$ 13 milhões. O valor é substancialmente maior do que o patrimônio de R$ 1 milhão declarado em 2022.
As investigações apontam suspeitas de que Val Ceasa lavava dinheiro para o Terceiro Comando Puro (TCP) e que atuou para favorecer os interesses da facção, especialmente em Irajá e bairros vizinhos na Zona Norte do Rio.
Os investigadores apontam que Val Ceasa tentou atuar para impedir a demolição de um "resort" do traficante Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão. Ele nega as acusações.
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Piscina estava sendo construída em nono 'resort' do traficante Álvaro Malaquias, o Peixão, em Nova Iguaçu
Reprodução
Roosevelt Barreto Barcelos, nome de batismo de Val Ceasa, começou a sua vida no centro de abastecimento que virou parte de seu nome político, o Ceasa. Lá, virou dono de vários boxes.
Em 2016, já havia uma investigação na Polícia Civil, em que a 27ª DP (Vicente de Carvalho) apontava indícios de extorsão cometida por Val Ceasa contra comerciantes, além de suspeita de lavagem de dinheiro do TCP.
Val Ceasa também adquiriu outros bens nos últimos anos, segundo o MPRJ e a Polícia Civil:
Diversas empresas (comércio e cultivo de frutas e abastecimento), com capital social somado de R$ 800 mil no Rio de Janeiro e no Espírito Santo;
Imóvel rural do tamanho de um campo de futebol;
Galpão avaliado em R$ 3 milhões;
Apartamento de frente para a praia no Recreio, avaliado em R$ 1,5 milhão;
Casa na Barra da Tijuca avaliada em R$ 5,5 milhões.
O Ministério Público pediu a quebra dos sigilos bancário e fiscal do parlamentar, além de relatórios de inteligência financeira.
Na casa de Val Ceasa, agentes apreenderam R$ 166 mil em espécie. Cerca de R$ 150 mil foram encontrados em outros endereços dele.
Val Ceasa e Ulisses Marins
Reprodução
Ulisses Marins, também alvo da operação desta quinta-feira (18), teria utilizado um imóvel onde funcionava seu comitê eleitoral para esconder armas e drogas para o traficante Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão.
O criminoso é o maior chefe do TCP na região conhecida como Complexo de Israel, que compreende as favelas de Cidade Alta, Parada de Lucas, Vigário Geral, Cinco Bocas e Pica-Pau.
Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão
Reprodução/TV Globo
O Complexo de Israel
Reprodução/TV Globo
Como foi a operação
Deputado estadual Val Ceasa é alvo de buscas em operação contra ligação de agentes público
A operação teve como alvos agentes públicos suspeitos de ligação com o Terceiro Comando Puro (TCP), a 2ª maior facção do tráfico do RJ.
Ao todo, a Policia Civil e o Ministério Público cumpriram 14 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio. Um dos endereços foi a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).
Segundo a força-tarefa, Val do Ceasa, Ulisses e um ex-assessor tentaram impedir a demolição do “resort” do chefão do TCP. A operação policial para pôr o imóvel abaixo chegou a ser adiada. Duas pessoas foram presas em flagrante.
Procurado, Val do Ceasa afirmou à GloboNews que trabalha em prol das pessoas mais humildes e negou que tenha procurado batalhão para impedir a demolição de um "resort" do traficante Peixão.
Um documento da Secretaria de Ordem Pública afirma que ele e o ex-vereador Ulisses Marins teriam se envolvido na tentativa de deixar o local intacto.
Dinheiro apreendido na casa de Val Ceasa
Divulgação/MPRJ
Ação para salvar ‘resort’
A investigação começou na Coordenadoria de Investigação de Agentes com Foro (Ciaf) da Polícia Civil e foi remetida ao MPRJ. O procurador-geral de Justiça do estado, Antonio José Campos Moreira, pediu os mandados, e a Justiça deferiu as buscas desta quinta.
A força-tarefa encontrou indícios de que esses agentes públicos procuraram a Polícia Militar para impedir a demolição de imóveis de luxo do TCP — um deles é o “resort” do traficante Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão, chefão da facção.
O espaço, batizado de “Resort Green”, ficava em uma área de preservação ambiental em Parada de Lucas, que compõe o Complexo de Israel, principal reduto do TCP. A propriedade tinha piscinas e até um lago para a criação de carpas.
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Polícia desmantela 'resort' usado por traficantes em Parada de Lucas
Reprodução/ TV Globo
Segundo o MPRJ, os investigados teriam usado a influência dos cargos para alegar que os imóveis seriam destinados à prestação de serviços sociais.
No entanto, as apurações indicam que essa justificativa não correspondia à realidade.
Os mandados foram autorizados pelo Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e são cumpridos na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), na Ceasa e em outros endereços localizados na capital fluminense e no Espírito Santo.
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Polícia chega a ‘resort’ de Peixão
Val Ceasa se defende
Pouco antes de chegar à Assembleia Legislativa do Rio, o deputado Val Ceasa afirmou que vem sofrendo perseguição política, e que se a investigação for séria, ele vai sair como "herói":
"A população sabe quem é Val Ceasa, eu trabalho de domingo a domingo dando dignidade para a população", afirmou Val.
Val Ceasa
Reprodução/TV Globo
O que dizem os envolvidos
Nota da Alerj
“A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) informa que acompanha a operação realizada nesta quinta-feira pelo Ministério Público. A Casa reforça seu compromisso com a transparência e coloca-se à disposição para prestar toda a colaboração necessária ao andamento das investigações. A Alerj reitera que atua com austeridade e compromisso com o povo fluminense.”
Nota da Prefeitura do Rio
“A Prefeitura do Rio informa que o ex-vereador Ulisses de Almeida Marins não integra os quadros de servidores municipais. Os atos publicados no dia 10 de novembro de 2025 foram tornados sem efeito no dia 17 de novembro de 2025 pois a Prefeitura do Rio possui, desde 2021, um setor na Secretaria de Integridade que analisou e reprovou a sua nomeação.”